O principal nome espanhol no circuito passa a ser naturalmente
Mikel Landa, 27 anos, que assinou com a Movistar para deixar de vez o papel de
super gregário e exercer o protagonismo que tanto almeja, embora ainda não esteja
claro como a equipe espanhola vai equacionar a questão Quintana/Landa, uma vez que
ambos querem o Tour – mas isso é tema
para outra discussão.
O ciclismo espanhol está neste momento no início de uma nova
era. Algumas jovens promessas já estão começando a se destacar, como Enric Mas
e Jamie Roson, mas a escassez de vitórias na última Vuelta foi sintomática.
A partir de 2018 o trabalho de base que a Espanha vem fazendo
nos últimos anos deve atingir um novo patamar e chegar cada vez mais forte no ciclismo
profissional.
O próprio Contador, que há anos investe na formação de
atletas por meio de sua Fundação, está empenhado nesta tarefa e vai comandar a Polartec-Kometa,
equipe de desenvolvimento da Trek – Segafredo, sobre a qual falamos no último post.
Além disso, as equipes continentais Burgos BH e Euskadi
Murias já solicitaram à UCI para subirem de nível e se tornarem Pro, com boas
chances de conseguirem o acesso e se juntarem à Caja Rural. Essa mudança lhes
permitirá fazer um calendário mais variado e mais forte.
Por fim, Mikel Landa, que recentemente assumiu a presidência
da Fundação Euskadi – igualmente dedicada à formação de novos ciclistas –, contando
com apoios de peso como a Orbea, também lança uma equipe Continental para a próxima temporada. Vale lembrar que a fundação basca já teve
uma equipe bem sucedida no passado, encerrando as atividades em 2012.
Com isso, a Espanha deverá ter, em 2018, além de uma equipe
no World Tour (Movistar), três no nível ProContinental (Caja Rural, Burgos BH e
Euskadi Murias) e mais duas no nível Continental (Polartec-Kometa e Fundação
Euskadi), com muitos jovens talentos em ação.
É um cenário animador e decisivo para o ciclismo espanhol, que
só se tornou possível em função de um trabalho de base que começou lá trás e poderá
render muitos frutos dentro de alguns anos. Um trabalho de formiguinha, de
ciclos, que levam dez, quinze anos para trazer algum resultado. Um conceito e
metodologia de formação de atletas que infelizmente ainda não conseguimos
implementar em terras brasileiras, qualquer que seja o esporte.
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