Momento do ciclismo espanhol


 A aposentadoria de Alberto Contador, mais do que encerrar a carreira do grande campeão, para muitos o último dos românticos, definitivamente marca o fim de uma era no ciclismo espanhol. Ano passado Joaquim Rodríguez se retirou das competições, Haimar Zubeldia fez o mesmo nesta temporada e, aos 37 anos, Alejandro Valverde está nos momentos finais de sua brilhante trajetória – ainda que Bala demonstre força e disposição para uns bons dois ou três anos.

O principal nome espanhol no circuito passa a ser naturalmente Mikel Landa, 27 anos, que assinou com a Movistar para deixar de vez o papel de super gregário e exercer o protagonismo que tanto almeja, embora ainda não esteja claro como a equipe espanhola vai equacionar a questão Quintana/Landa, uma vez que ambos querem o Tour – mas isso é tema para outra discussão.

O ciclismo espanhol está neste momento no início de uma nova era. Algumas jovens promessas já estão começando a se destacar, como Enric Mas e Jamie Roson, mas a escassez de vitórias na última Vuelta foi sintomática.

A partir de 2018 o trabalho de base que a Espanha vem fazendo nos últimos anos deve atingir um novo patamar e chegar cada vez mais forte no ciclismo profissional.

O próprio Contador, que há anos investe na formação de atletas por meio de sua Fundação, está empenhado nesta tarefa e vai comandar a Polartec-Kometa, equipe de desenvolvimento da Trek – Segafredo, sobre a qual falamos no último post.

Além disso, as equipes continentais Burgos BH e Euskadi Murias já solicitaram à UCI para subirem de nível e se tornarem Pro, com boas chances de conseguirem o acesso e se juntarem à Caja Rural. Essa mudança lhes permitirá fazer um calendário mais variado e mais forte.

Por fim, Mikel Landa, que recentemente assumiu a presidência da Fundação Euskadi – igualmente dedicada à formação de novos ciclistas –, contando com apoios de peso como a Orbea, também lança uma equipe Continental para a próxima temporada. Vale lembrar que a fundação basca já teve uma equipe bem sucedida no passado, encerrando as atividades em 2012.

Com isso, a Espanha deverá ter, em 2018, além de uma equipe no World Tour (Movistar), três no nível ProContinental (Caja Rural, Burgos BH e Euskadi Murias) e mais duas no nível Continental (Polartec-Kometa e Fundação Euskadi), com muitos jovens talentos em ação.

É um cenário animador e decisivo para o ciclismo espanhol, que só se tornou possível em função de um trabalho de base que começou lá trás e poderá render muitos frutos dentro de alguns anos. Um trabalho de formiguinha, de ciclos, que levam dez, quinze anos para trazer algum resultado. Um conceito e metodologia de formação de atletas que infelizmente ainda não conseguimos implementar em terras brasileiras, qualquer que seja o esporte.


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