La Vuelta 2017 - Balanço Final - Parte 3

Na última parte do balanço final, oito equipes que, cada uma com seus motivos, têm mais a lamentar do que comemorar sobre a participação na Vuleta 2017.



ORICA-Scott
Impressionante como a equipe australiana se perdeu ao longo da competição. O que parecia uma estratégia interessante em testar (em tese) três candidatos à Classificação Geral se mostrou um desastre completo. Esteban Chaves foi de principal perseguidor a Froome para um decepcionante 16º lugar, a quase 17 minutos do líder, e os irmãos Yates falharam tanto no suporte ao companheiro colombiano quanto na busca por uma etapa. Um certo choque de realidade aos três e à equipe, que precisa rever suas estratégias de briga por GC para a próxima temporada.
O destaque: Jack Haig. Menos badalado, o australiano foi responsável por evitar perdas maiores de Chaves nas etapas mais desgastantes, e coroou sua participação com um respeitável 12º lugar na difícil subida de Los Machucos.

Team LottoNL-Jumbo
Não foi uma Vuelta totalmente ruim, mas a participação da LottoNL poderia ter sido melhor. Steven Kruijswijk apareceu praticamente apenas na última semana, sem muito brilho, e tentou um ataque no início do Angrilu, que serviu para que concluísse a etapa em 7º e garantisse um lugar entre os 10 melhores na geral. Juan José Lobato tentou a vitória em Tarragona mas foi superado por Matteo Trentin, enquanto que o veterano Stef Clement tentou a sorte em algumas fugas, sem muito sucesso.
O destaque: Floris De Tier fez sua estreia em GT e conseguiu um 5º e 6º lugares, na 7ª e 19ª etapas, respectivamente.

AG2R La Mondiale
Se esperava muito mais da equipe francesa, tendo Romain Bardet como líder e Domenico Pozzovivo mais livre para buscar etapas. Pozzovivo perdeu tempo na classificação ainda nos primeiros dias e após uma queda na 11ª etapa precisou abandonar a disputa. Já Bardet, ao ver as chances de GC comprometidas, tentou buscar uma etapa, porém calculou mal seus ataques e não chegou nem perto de uma vitória. A Vuelta expôs ainda mais um problema crônico do francês: o ITT. Foi um dos piores nos trajeto de 40,2Km e, se realmente tem pretensões de lutar por um título no Tour de France, precisa urgentemente melhorar o seu desempenho nesse quesito.
O destaque: no caso da equipe francesa o destaque foi o papelão que Alexandre Geniez e Nico Denz fizeram na etapa 15, descaradamente se apoiando no carro da equipe. A exclusão de ambos da competição, assim como de Didier Jannel, o Diretor Esportivo da AG2R, era o mínimo que se poderia esperar.


Movistar
Uma Vuelta muito aquém do que a gigante espanhola está acostumada a produzir. A ideia foi trazer jovens para ganhar experiência e, longe de ter reais condições de brigar por uma etapa, a Movistar focou na liderança geral entre as equipes, mas acabou ficando em segundo lugar, a mais de seis minutos para a Astana. O veterano José Joaquin Rojas ainda tentou mas não foi páreo para Matteo Trentin na chegada em Elpozo Alimentacion. Na classificação geral, Daniel Moreno acabou em 18º. Muito pouco.
O destaque: Marc Soler não foi espetacular, mas mostrou ter talento nas montanhas e deve aparecer mais em 2018.

Dimension Data
Em termos de desempenho, longe de ser um desastre, mas a Vuelta foi bastante cruel com a equipe sul-africana, que chegou a Madrid com apenas três ciclistas. Quedas, problemas estomacais, febre... aconteceu de tudo um pouco e com isso a equipe pouco pode produzir, especialmente na última semana.
O destaque: Merhawi Kudus esteve muito próximo da vitória em Alcossebre. A queda na sétima etapa o obrigou a abandonar a competição, ainda na primeira semana, mas foi o suficiente para o eritreu deixar uma marca bastante positiva.

Caja Rural - Seguros RGA
Ofuscada por Aqua Blue e Manzana Postobon, e equipe espanhola teve uma participação bastante discreta. O mais combativo foi Jaime Roson, que está de saída para a Movistar. Foi dele o melhor resultado para equipe, com o 3º lugar na 10ª etapa.
O destaque: regular durante as três semanas, o veterano Sergio Pardilla foi recompensado com um bom 15º lugar na classificação geral, o que significou ser o segundo melhor espanhol no GC (atrás paenas de Alberto Contador) e o primeiro entre as equipes convidadas.

Cofidis
A Cofidis não parecia ter nem uma estratégia nem um objetivo nesta Vuelta. Convidada basicamente porque compartilha do mesmo patrocinador, a equipe francesa não pareceu preocupada em ter qualquer visibilidade, brigar por vitória ou qualquer outra coisa. O melhor momento foi com Daniel Navarro, já na 19ª etapa, em que a chegada era em sua Gijón, embora fosse nítido que ele dificilmente teria força para lutar pela vitória.
O destaque: Luis Ángel Maté foi o melhor da Cofidis ao longo das três semanas, sendo o mais agressivo e o que mais tentou fugas.

FDJ
A FDJ estava na Vuelta? Não foi um GT bom para equipes francesas em geral, mas a FDJ conseguiu ser a equipe mais apagada de todas as 22 participantes. Com um selecionado “alternativo”, o foco maior esteve em dar experiência e rodagem aos mais novos. Nem mesmo o segundo lugar de Lorrenzo Manzin na etapa derradeira chamou atenção.
O destaque: o que melhor foi feito pela equipe francesa nesta Vuelta foi a exibição BMX de Tobias Ludvigsson:




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