La Vuelta 2017 - parte 1


A 72ª edição da Vuelta a España já completou mais de um terço do seu trajeto, apresentando o que se espera de uma grande volta: emoção, vitórias inesperadas, ciclistas em altíssimo nível e alguma dose de drama. Foram percorridos até agora 1.534,4 Km desde o início, em Nîmes, na França, e, em nove etapas realizadas, nove vencedores diferentes (lembrando que a BMC venceu o contra relógio por equipes e Rohan Dennis foi o primeiro da equipe a cruzar a linha de chegada). Desde a terceira etapa Chris Froome veste a camisa vermelha, confirmando seu favoritismo. Mas uma grande volta não se resume a isso e, como é tradição na Vuelta, fugas, muita ação nas montanhas e finais eletrizantes nas chegadas ao alto agitam a competição.

A seguir os vencedores das etapas já realizadas e a primeira parte da crônica do que cada equipe apresentou até o momento.

1
Nîmes
 BMC Racing Team
2
Nîmes – Gruissan, Grand Narbonne
 Yves Lampaert (BEL)
3
Prades – Andorra
 Vincenzo Nibali (ITA)
4
Escaldes-Engordany – Tarragona
 Matteo Trentin (ITA)
5
Benicàssim – Alcossebre
 Alexey Lutsenko (KAZ)
6
Villarreal – Sagunto
 Tomasz Marczyński (POL)
7
Llíria – Cuenca
 Matej Mohorič (SLO)
8
Hellín – Xorret de Catí
 Julian Alaphilippe (FRA)
9
Orihuela – Cumbre del Sol
 Chris Froome (GBR)

Team Sky
Com uma equipe forte e dedicada ao seu único objetivo que é a vitória na classificação geral, a equipe britânica continua a exercer sua supremacia, liderando o pelotão a maior parte do tempo. O controverso Gianni Moscon (vale a pena relembrar) faz sua estreia em grandes voltas e tem sido bastante utilizado para imprimir um ritmo forte. Wout Poels e Mikel Nieve têm sido os gregários mais importantes nas subidas e cumprido bem o papel. Líder, Chris Froome parece estar no auge da sua forma, como a vitória na etapa 8 mostrou, pedalando talvez até melhor do que no Tour de France, sistematicamente ampliando sua vantagem na classificação geral, nitidamente um nível acima dos seus principais concorrentes. A julgar pelo que se viu até agora, é difícil imaginar um resultado diferente do título inédito para o britânico. Aos rivais, por enquanto, resta esperar que o seu desempenho decline na última semana.

ORICA-Sccot
A equipe australiana trouxe os irmãos Yates e Esteban Chaves para exercer protagonismo na Vuleta e o colombiano se colocou até o momento como o principal desafiador de Froome ao título (2º lugar no GC, a 36”). Chega a ser uma surpresa, tendo em vista o complicado ano do ciclista de Bogotá, vindo de lesão no joelho e um decepcionante Tour de France. Adam Yates vem bem na geral, ocupando o 9º lugar (+1’55”) e pode exercer um papel importante na disputa. Já o seu irmão Simon perdeu mais de 13 minutos na classificação e deverá apenas brigar por alguma etapa daqui em diante.

Quick-Step Floors
A máquina belga de vencer provas continua a todo vapor e já levou três etapas nesta edição da Vulta. Em 9 etapas a Quick-Step acumula ainda mais três segundos lugares e um terceiro. De maneira surpreendente Yves Lampaert venceu a segunda etapa quando seu objetivo era embalar o sprint final, permitindo ainda que vestisse a camisa vermelha por um dia. Matteo Trentin foi o melhor e venceu o sprint em Tarragona enquanto que Julian Alaphilippe teve uma atuação fantástica em Xorret de Catí para conquistar sua vitória. E o jovem Enric Mas, de apenas 22 anos, não venceu (3º na etapa de Vila-Real - Sagunt) mas mostrou que pode ser um bom nome para GC no futuro.

Trek – Segafredo
Em seu farewell tour, Alberto Contador parece ressurgir das cinzas para mostrar todo seu talento. Não fosse um dia extremamente ruim em Andorra estaria muito bem posicionado na classificação geral. Os ataques inesperados em Alcossebre e a subida em Xorret de Catí, testando e instigando Froome, mostram que El pistolero quer deixar sua marca nesta Vuelta. Outro destaque na equipe estadunidense é Edward Theuns, quarto colocado nas duas etapas com chegada em sprint.
BMC Racing Team
Um desempenho acima do esperado até aqui para a BMC, com dois atletas entre os 5 primeiros na geral. Uma equipe equilibrada e técnica, não por acaso ganhadora do contra relógio por equipes, com o irlandês Nicolas Roche, embora discreto, num excelente 3º lugar até aqui, seguido de perto por Tejay van Garderen, mais tranquilo sem a pressão de liderar a equipe.

Bahrain-Merida
A teoria do copo meio cheio/meio vazio cabe para Vincenzo Nibali. O tubarão de Messina venceu a terceira etapa demonstrando toda sua habilidade em descida depois de ficar para trás no alto de La Comella, mas vem perdendo segundos preciosos nas chegadas ao alto, resultando numa distância de 1’17’’ para Froome até aqui. Conhecido por subir de nível ao longo das três semanas, resta saber se o italiano poderá ainda reverter essa diferença.

Astana Pro Team
Um boa vitória com Alexey Lutsenko, vindo na fuga na quinta etapa e contra-atacando na hora certa para se distanciar dos rivais e conquistar seu primeiro triunfo em uma grande volta. A equipe cazaque teve ainda desempenhos senão espetaculares bastante consistentes de Miguel Ángel López e Luis Leon Sanchez, ao passo que seu capitão, Fabio Aru, pouco apresentou até aqui, lutando para minimizar perdas na geral.

Team Sunweb
Warren Barguil
vinha relativamente bem quando foi excluído pela equipe após a sétima etapa. De saída para a Fortuneo-Oscaro, o francês teria contrariado as ordens da equipe e não auxiliado o capitão Wilco Kelderman quando deveria. Polêmicas à parte, a Sunweb segue no seu foco de desenvolver talentos e vem fazendo uma boa participação, com Kelderman em 11º na geral, e o promissor Sam Oomen, de apenas 22 anos, em 16º. Um nome a ser acompanhado de perto.

UAE Team Emirates
Um dos destaques nessa primeira semana de competição, a UAE tem colhido bons frutos com as fugas. O esloveno Matej Mohoric foi soberano e venceu em grande estilo a sétima etapa, além de um quarto lugar duas etapas antes. Seu compatriota Jan Polanc, especialista em fugas, foi segundo em Xorret de Catí e o melhor da equipe na geral até o momento (15º a 4’07’’).

Cannondale-Drapac
O italiano Davide Villella vem trabalhando muito bem nas metas de montanha e é o atual camisa branca com bolinhas azuis, liderando a pontuação com 28 pontos. Já Michael Woods conquistou um bom 3º lugar na complicada subida de Cumbre del Sol e vem se destacando na geral, ocupando o oitavo posto (a 1’52” do líder). Mas a principal notícia da equipe norte-americana é a incerteza de sua existência a partir da próxima temporada, por falta de aporte financeiro – a equipe corre contra o tempo para encontrar um novo patrocinador.

Lotto Soudal
Tradicionalmente focada na briga por etapas, a equipe belga viu o journeyman Tomasz Marczynski brilhar na etapa de Vila Real – Sagunt, conquistando aos 33 anos sua primeira vitória em uma grande volta. Nome certo nas melhores fugas, Thomas de Gendt conquistou outro bom resultado ao chegar em quarto na etapa de Llíria – Cuenca, a mais longa desta edição da Vuleta, com 207 km.



Comentários